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A exclusão e a inclusão de alunos
03/02/2009 - Inclusão
 
   
Por Içami Tiba

A escola tem sido um excelente meio de contribuir com a exclusão do cidadão no mercado de trabalho quando aprova alunos que não aprenderam o que tinham que aprender.

Os pais também estão sendo excludentes quando querem que seus filhos sejam aprovados mesmo que não tenham aprendido nada.

O governo contribuiu bastante com a exclusão dos seus alunos quando obrigou as escolas a adotarem a aprovação sistemática, pela qual nenhum aluno poderia ser reprovado, mesmo que nem ler soubesse.

Todos estes alunos que receberam diplomas sem merecer estão chegando ao mercado de trabalho sem qualificações necessárias para sequer escrever um relatório, e muito menos compreendê-lo.

O Brasil do trabalho reclama que falta competência aos candidatos às vagas existentes. Ao mesmo tempo sobram desempregados.

Minha orientação aos professores é que eles sejam inclusivos por meio da mudança de atitude no processo ensino-aprendizagem, pois atualmente ele está deturpado para processo aprovação-reprovação do aluno.

Método excludente: quando um aluno atrasa para chegar à aula pela terceira vez, o professor clássico não permite que ele entre na sala de aula. Dá uma suspensão para que o aluno aprenda a não se atrasar. Como se, ao excluir o aluno, ele aprendesse a chegar a tempo, a não se atrasar.

O princípio pedagógico desta suspensão é privá-lo de algo que lhe seja importante. Mas é importante para quem? Para o aluno que não é, pois quando ele está interessado, não perde um segundo na cama. Exemplo: acordar de madrugada aos sábados e domingos para surfar.

O aluno atrasa porque não está interessado. Não lhe cobram aprendizado, mas a presença na classe. Reprova-se por faltas às aulas, mas não por falta de aprendizado.

Esta suspensão aumenta o desinteresse do aluno, que agora tem motivo para não assistir à aula: a própria suspensão. Agora ele tem justificativa de não conseguir acompanhar a matéria, afinal ele estava suspenso.

Método inclusivo: já no primeiro atraso de um aluno, o professor com nova atitude, a de estar interessado no aprendizado do jovem, explica ao atrasado:

"Como você se atrasou, mas não quero que você perca o que eu já expliquei, você escolhe um colega para que depois da aula lhe explique o que você perdeu com o atraso. Na próxima aula, vou lhe perguntar o que o seu colega lhe explicou. Se você souber você ganha um ponto na nota, e quem lhe explicou também ganha um ponto." E continua dando a aula.

Este professor não deve esquecer a promessa feita. Deve anotar no diário e, na próxima aula, essa deve ser sua primeira ação. Se você é o professor, pergunte ao estudante atrasado quem foi o aluno escolhido para lhe explicar.

Este tempo é necessário para o aluno organizar sua mente e mostrar o que aprendeu com o colega. Se perguntar direto, além de intimidar, pode dar um "branco" no aluno, pois ele pode não ter a prontidão esperada. Se mesmo assim ele não se lembrar, vale a pena jogar para os alunos: "quem disser uma palavra que resuma a aula passada ganha um ponto!"

A maioria dos alunos não está ainda com a mente aquecida para começar a pensar na matéria, enquanto a mente do professor já está preparada faz tempo para dar a aula.

Sempre há um aluno que diz uma palavra. Se for pertinente, o professor dá um ponto e pede a segunda palavra. Esta segunda surge mais rapidamente, e a terceira, mais ainda. Em menos de um minuto, o professor já tem 5 palavras e os alunos estão com a mente preparada para receber a sequência da aula passada. Depois volta-se ao aluno, que atrasou na aula passada, com a mesma pergunta.

O professor tem de ter a nova atitude de querer incluir este aluno no aprendizado. Portanto, deve também ser criativo em facilitar que o aluno lhe responda, e não torcer para que ele não se lembre para "ferrar com ele".

Há décadas existia um exame oral, no qual o professor sorteava uma pergunta ao aluno que tinha que lhe responder. Quando o professor queria reprovar o aluno, não lhe ajudava em nada, pelo contrário, criava um campo; tempo para forçar um "branco" no aluno. Mas quando ele queria aprovar, tudo favorecia, dizendo até o início da palavra-resposta para o aluno simplesmente completar.

Com esta nova atitude, a inclusiva, o professor está preparando um futuro profissional competente para melhorar o Brasil.

http://www.tiba.com.br/
 
Fonte: Uol Educação  
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