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DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS
Esta pesquisa apresenta como objetivo central a análise dos processos avaliativos utilizados em instituições de Ensino Superior particular, bem como a análise de seu caráter emancipatório ou discriminatório. Da mesma forma, pretende-se detectar o conceito de avaliação por parte dos docentes e a identificação da concordância entre as concepções dos professores quanto a avaliação, e sua prática pedagógica. Os estudos desta pesquisa também se direcionam para a observação quanto ao objetivo da avaliação é utilizada na prática docente do Ensino Superior, além da análise de relatos de alunos, quanto ao possível processo discriminatório, mediante os resultados avaliativos.
INTRODUÇÃO
O termo avaliação é caracterizado, historicamente, por diferentes concepções quanto ao que diz respeito à sua aplicação na prática educativa. Pode-se observar que, no Brasil a avaliação só começou a merecer atenção no final de 1930, com a criação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), sendo a mesma encarada como sinônimo de medição das capacidades, diagnóstico dos "erros" dos alunos por meio de testes e, basicamente, através de procedimentos operacionais, que transformavam a avaliação em um método tradicional, não utilizando a possibilidade de verificação de possíveis defasagens. A avaliação era vista, a partir desta ótica, como um instrumento de poder.
É importante ressaltar que a avaliação é um tema bastante polêmico, sendo mais problematizada no contexto da educação Infantil e do Ensino fundamental e Médio do que no âmbito da educação superior. As pesquisas sobre a avaliação no Ensino Superior ainda são escassas e tímidas quanto ao que diz respeito à análise da real finalidade do professor ao aplicar seus testes, provas e trabalhos. De acordo com Ludke e Porto Salles:
A avaliação no superior continua sendo uma área de trabalho acadêmico de pouco conhecimento e muita baixa produção. Embora todos os professores e estudantes estejam, necessariamente, submetidos à ação da avaliação em seu trabalho, poucos dentre eles se dispõem a parar para refletir, analisar, estudar e se preparar de maneira especifica para os problemas envolvidos na avaliação do processo de ensino/aprendizagem (1997, p.169).
Partindo desse pressuposto, a presente pesquisa pretende investigar a avaliação utilizada em instituições de educação superior do município de Viçosa- MG. Como recorde da realidade foram escolhidas duas dessas instituições presentes no município, onde foram aplicados questionários a quinze graduandos de diferentes cursos, e a quinze professores universitários, que atuam em diferentes áreas, com o objetivo de, através de perguntas, direta e individualmente esclarecer a questionamentos relacionados ao tema e aos objetivos descritos nesta pesquisa. Dessa forma, acredita-se que a problemática central da presente pesquisa foi contemplada e os dados apurados serviram de subsídio para a realização da abordagem crítica que se segue.
DESENVOLVIMENTO
Sabendo que, dentre os módulos de ensino, o Ensino Superior é caracterizada por concentrar o menor índice de discussão e reflexão sobre a prática avaliativa. Dessa forma, a problemática central do presente trabalho foca a avaliação nos cursos de Educação Superior, questionando até que ponto a prática avaliativa não se torna uma prática discriminatória no cotidiano da prática pedagógica.
Para isso, utilizou-se embasamento em alguns autores que discorrem sobre o assunto, e de questionários apresentados a graduandos e professores universitários, como instrumentos para a coleta de dados.
Adentrando nos conceitos educacionais, mais especificamente, analisando as práticas avaliativas, sabemos que existem inúmeras discussões e sugestões, muitas vezes "vazias" de significado para o professor do Ensino Superior. Percebeu-se através das respostas dadas, que muitos professores não possuem uma visão clara do verdadeiro significado da avaliação, não se dando conta de que esta é uma oportunidade rica para o crescimento e desenvolvimento do aluno. De acordo com Lima (1994) a avaliação tem sido um método que, ao invés de diagnosticar as necessidades do aluno, promovendo a implantação de metodologias mais coerentes, tem se tornando uma "arma, que outorga poderes ao professor, que muitas vezes se posiciona de maneira errada, não trabalhando de maneira construtiva.
No que diz respeito à concepção do termo avaliação, a maioria dos professores e alunos que foram questionados quanto ao significado de se utilizar a avaliação, afirmaram que avaliar consiste em se verificar e testar o conhecimento assimilado pelos alunos. Percebeu-se, assim, que a avaliação como instrumento de medida de conhecimento, recorrente da década de 1950, permanece até os dias de hoje presentes nas estruturas superiores de ensino como uma questão ideológica nas mentalidades docente e discente.
Quando indagados sobre a reação dos alunos frente as suas avaliações, os professores afirmaram não haver muita inquietação, com exceção de alguns docentes que afirmaram haver presença de ansiedade por parte dos alunos. O relato abaixo, de um professor, indagado sobre esta questão, demonstra a reação harmônica de seus alunos diante de seus instrumentos avaliativos:
Na maioria das vezes, os alunos reagem de forma positiva em relação às avaliações, uma vez que busco diversificar os métodos utilizados para avaliá-los.
Porém, cerca de 80% dos alunos questionados, relataram já terem sido prejudicados pelas "provas" aplicadas em sala de aula, pois os professores, em muitos casos, não aceitam os "raciocínios" dos alunos que não vão de encontro com suas linhas de pensamentos. Isso fica evidente na declaração de um graduando questionado sobre essa questão, ao afirmar: "segui um pensamento diferente e fui 'retalhado'".
Com base nesse relato, e em inúmeros outros depoimentos quanto à prática avaliativa autoritária dos alunos questionados, é pertinente a afirmação de Focault (1979, p.220) ao afirmar que na educação "o sujeito é submetido ao olhar. Ele é visto, mas não vê, ele é objeto de informação, nunca um sujeito na educação". Fica clara a ausência do olhar do professor à construção do pensamento lógico de seus alunos como uma "ponte" ao processo de ensino-aprendizagem.
A maioria dos alunos que responderam ao questionário foi fatídica ao relatar que já se sentiu inferior aos demais colegas diante dos resultados avaliativos, afirmando que os professores traçam objetivos sobre cada questão, os punindo, algumas vezes, de maneira implícita, transformando a avaliação em um método classificatório entre bons e maus alunos. Esses alunos, ao serem submetidos à avaliações tradicionais, passam por uma etapa de classificação originando a " criação de hierarquias de excelência", termo utilizado por Perrenoud (1999) para designar e destacar os considerados bons e maus alunos. Isso fica evidente na declaração de uma aluna:
A avaliação serve para rotular os bons e maus alunos, ou mesmo selecionar aqueles que serão ou não bem sucedidos através dos seus históricos escolares, onde o que predomina são as notas boas.
De acordo com Hoffmann (1993) avaliações que possuem por meta a classificação são extremamente prejudiciais, visto que perdem todo o seu caráter inovador, provocando um ciclo vicioso, pois alunos que, no decorrer da trajetória acadêmica são alvos de metodologias dessa natureza tendem, automaticamente, a reproduzi-las futuramente.
Aproximadamente 95% dos professores, afirmaram ser o "erro" uma fonte de aprendizagem, porém, nem todos proporcionam oportunidade para que os alunos reflitam sobre as questões consideradas "erradas". Dessa forma, fica clara a incoerência, já que a prática docente não revela como o "erro" do aluno pode proporcionar aprendizagem, já que os alunos não são levados a refletirem sobre o mesmo.
A avaliação, dessa forma, torna-se puramente mecânica, levando o indivíduo à tensão e não à reflexão. Assim, é necessário reformular e repensar a prática avaliativa. Caso contrário, o sujeito ficará estagnado, não adquirindo competências para agir de forma crítica na sociedade na qual está inserido e estará sujeito a uma aprendizagem vazia de significados e coerência com sua própria realidade.
CONCLUSÃO
Com base nos autores estudados e nos questionários aplicados, percebeu-se que a prática avaliativa ainda é um mecanismo utilizado sem uma reflexão consistente sobre sua verdadeira contribuição para o processo de ensino-aprendizagem no Ensino Superior. Muitos alunos das instituições de Educação Superior se sentem prejudicados e até discriminados, visto que, para estes últimos, a avaliação não tem sido uma ferramenta que os auxilie em sua formação acadêmica. Cabe, portando, aos educadores a reflexão constante sobre sua prática pedagógica, para que o trabalho docente realmente contribua com o meio social e com o mercado de trabalho.
REFÊRENCIAS BIBLIOGRAFICAS
HOFFMANN, Jussara Maria Lerdch. Avaliação da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Educação e realidade, 1993.
LIMA, Oliveira de Adriana. Avaliação Escolar: Julgamento x Construção. Petrópolis, RJ: VOZES, 1994.
PERRENOUD, Philippe. Avaliação da excelência à regulação das aprendizagens: entre duas lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
SILVA, Tadeu Tomaz da. O sujeito da Educação: estudos Foucaultianos. Petrópolis. RJ: VOZES, 1994.
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