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Introdução
Segundo D'Antino (1998) a família é o primeiro e mais importante 'berço' do indivíduo, tendo como função original satisfazer todas as necessidades físicas, afetivas e sociais da criança, cumprindo também, a função mediadora entre a criança e o mundo social. Consideram-se cada família única, com seus valores, diferenciando-se em tamanho de acordo com os elementos que as compõem. A família bem estruturada emocionalmente sabe lidar com situações diversas e conflitantes, busca a reestruturação e o redimensionamento de funções e papéis.
É difícil para a família o impacto da noticia do nascimento de uma criança deficiente. Grandes partes destas famílias não estão preparadas para receber um membro deficiente, pois receberam toda uma carga ideológica cultural que geram as reações mais diversas na como: rejeição, simulação, segregação, superproteção, paternalismo, ou mesmo piedade. Os pais, além de precisarem dar conta desta nova situação inesperada de ter um bebê deficiente, também vivem o reflexo da rejeição e do isolamento social. A sociedade tem dificuldade de conviver com a diferença, deixando isto bem definido em suas atitudes e ações, geralmente evitando um contato social mais próximo e sensível.
Encarar a criança, os problemas da criança deficiente e suas relações familiares e sociais tornam-se uma tarefa difícil. O ambiente familiar é importante e pode contribuir para o desenvolvimento e crescimento de uma criança, seja ela deficiente ou não.
A relação da criança especial, escola e família ainda é um tema bastante conflituoso, mesmo que atualmente seja mais abordado. Mas os profissionais e pais, em sua maioria, não têm uma orientação adequada para o desenvolvimento integral dessas crianças.
Com o objetivo de promover a inserção social das pessoas com deficiência e de combater qualquer forma de discriminação em relação a elas, um processo de inclusão baseado no princípio de igualdade de direitos vem se instalando nas últimas décadas, valorizando em primeiro lugar a diversidade.
A inclusão social é um direito fundamental. Nessa perspectivas, a escola inclusiva é o lugar natural de acesso e permanência educacional de todos os alunos. Daí, a denominação de escola regular e de rede regular de ensino. (CARNEIRO, 2007).
Assim, inclusão no espaço da escola é algo muito mais amplo, que envolve a reestruturação dos espaços físicos, das atitudes, da cultura, da sociedade, da família e dos processos de ensino-aprendizagem.
Descrição dos objetivos
Dentro do enfoque deste trabalho, focaremos a criança deficiente e a relação família/escola; pesquisaremos como se da à inserção dessas crianças no ensino regular, as perspectivas, mitos e medos dos pais, assim como as dificuldades encontradas pelos profissionais que lidam com essas crianças no município de Viçosa, Minas Gerais.
Será destacado um objetivo central: identificar as variáveis presentes no contexto familiar das crianças com necessidades especiais e avaliar a sua relação com a atual proposta de inclusão educacional no município de Viçosa.
Para apurar melhor esse objetivo, serão necessários outros objetivos específicos:
- Avaliar a proposta de inclusão da cidade de Viçosa;
- Examinar se o ambiente físico das escolas é adequado para atender as crianças com necessidades especiais;
- Verificar se as famílias encontram restrições para matricular seus filhos em escolas regulares;
- Averiguar se os pais têm preferência por escolas regulares ou somente escolas para crianças de necessidades especiais; e
- Identificar se as escolas possuem profissionais qualificados para trabalhar com as crianças com necessidades especiais.
Desenvolvimento
A família e a criança especial
A família é o grupo social com quem a criança, ao nascer, possui um primeiro contato. A partir dessa relação e convívio ela constrói os seus valores e as suas concepções, sendo um modelo de identificação para aprender a se relacionar e a desempenhar o seu papel social.
Os pais, ao terem a noticia que serão pais, independentemente de qual for o tipo familiar, geralmente se preparam para receber o novo membro: a criança. Esse preparo gera muitas expectativas e planejamentos para a família, ainda mais se for o primeiro filho.
Segundo a CNBB, "quando nasce um filho com deficiência, ou por qualquer circunstância um filho se torna deficiente, os pais se sentem socialmente desvalorizados e marginalizados" (2005, p. 43).
As famílias de crianças com necessidades especiais, ao ficarem sabendo sobre a deficiência do filho, costumam demorar a aceitar e a entender, pois haverá uma mudança na vida dos membros da família de maneira não planejada por ser uma nova situação. Parolin afirma que "Ninguém nasce pai ou mãe. Aprende-se a ser pai e mãe, com nossos exemplos sociais e com cada filho e em cada situação" (2003, p. 15). É nesse formar e ser formado que os pais vão adquirindo conhecimentos específicos para a criação dos seus filhos.
Portanto, os pais precisam entender que mesmo quando a criança é normal essa formação é complicada. Cada indivíduo tem as suas necessidades próprias, apresentam diferenças de ordem física, mental, social, emocional que, de certa forma, os caracterizam, determinam seus interesses, aptidões e limitações. E isso não e diferente na criança deficiente.
A escola e a criança especial
A educação de crianças com necessidades especiais no Brasil tem muitos desafios a serem enfrentados. O principal e mais grave deles é o preconceito que ainda se encontra forte em nossa sociedade.
A Declaração de Salamanca de 1994 foi uma conquista muito importante para a educação inclusiva, proclamou, entre outros princípios, o direito de todos à educação, independente das diferenças individuais. A escola deve ser entendida como uma instituição social, ser acolhedora e democrática, buscar a atender a todos sem exceção e discriminação.
Como diz Mantoan (1997): "Cabe á escola encontrar respostas educativas para as necessidades de seus alunos e exigir dela uma transformação". Nessa perspectiva, cabe a instituição escolar se preparar para receber e atender as necessidades dos seus educandos, para inserir nas classes regulares crianças e jovens com necessidades especiais e possibilitá-los um desenvolvimento integral.
Sabemos que, mesmos com as novas leis, ressaltando a educação inclusiva, e uma significativa mudança de postura da sociedade perante o deficiente, ainda há muito a ser feito, principalmente por parte das escolas. As instituições precisam tomar procedimentos de modificação do ambiente físico como também na proposta curricular: mudar a didática das aulas, rever a maneira de avaliar e reavaliar os conteúdos.
Para tanto, é preciso um trabalho em equipe dentro das escolas. Essa não é só uma responsabilidades dos professores de alunos com necessidades especiais, mas da escola como um todo.
A relação da escola com a família em prol da criança especial
O Brasil 14,5% da população possui algum tipo de deficiência. Somente agora, depois de um século de exclusão, perseguição e discriminação, essas pessoas começam a ter seus direitos garantidos, ao menos, na forma da lei.
A filosofia da inclusão implica a "transformação de relações sociais estabelecidas e sedimentada entre grupos humanos" (GLAT, 1995: 17), valorizando em primeiro lugar a diversidade.
Torna-se necessário, portanto, um olhar mais educacional e menos patológico sobre o deficiente, sendo imprescindível que o sistema educacional organize-se e se estruture de forma que essas pessoas tenham o acesso e a permanência na escola regular.
Raiça e Oliveira (1990) falam que "O deficiente mental não é inferior aos outros. Os outros não são mais que deficiente. Não se comparam seres humanos. Cada um é uma realidade única, pessoal, com toda a sua história a ser lida, entendida e respeitada" (RAIÇA ;OLIVEIRA 1990: 19).
Para obtermos uma educação realmente inclusiva, a escola deve contar com a participação de todos os envolvidos: funcionários, professores, comunidade e, principalmente, os pais e familiares.
A relação entre a escola e a família dos educando ainda possuem muitos mitos. Pelo fato de a escola já possuir certo receito nessa relação, ocasiona-se um descompasso de ideias, mesmo ambas tendo um objetivo central, o desenvolvimento das crianças. Esse descompasso pode ser causado por falta ou falha na comunicação entre as partes envolvidas, por não ser diferenciado os papéis de cada um durante o processo educacional, podendo levar ao conflito.
Há alguns pais que não se conscientizam da importância do apoio deles junto à instituição escolar de seus filhos, como também escolas que não incentivam essa parceria dos familiares na instituição. Parolin (2003) nos lembra que os objetivos da escola e famílias são os mesmos, preparar a criança para o mundo. Esse autor enfatiza a importância da participação da família no processo educativo.
Principalmente, para a criança com necessidades educacionais especiais essa parceria é fundamental. De tal modo, a escola deve estreitar ao máximo essa relação, oportunizando um convívio maior dos pais dentro da escola para auxiliar no desenvolvimento.
Davis coloca que "o envolvimento dos pais proporciona benefícios a vários níveis: às crianças, aos pais, às escolas e, generalizando, infere melhorias na sociedade democrática". (DAVIS , 1989: 37)
Nesse sentido, essa interação assume algumas funções, destacando-se: demonstração de amizade, passando confiança e coragem pra criança; pais cooperantes no processo de ensino-aprendizagem; tomada de conhecimento dos pais sobre o desenvolvimento da criança; e obtenção de informações do ambiente da casa e da rotina diária da criança.
Para concluir, é preciso ratificar que o trabalho com a família e o estímulo ao seu envolvimento constitui um fator decisivo no processo de inclusão de pessoas com necessidades especiais, sendo indispensável para a construção da individualidade do sujeito como participante ativo da sociedade. Contudo, esse processo requer, para sua efetivação, a ação de múltiplos esforços e a participação de todos os segmentos da sociedade, de modo a se promover uma verdadeira mudança cultural em relação à diversidade e às potencialidades humanas.
Discussão e conclusão do estudo
Este estudo é um indicador do que pensam e realizam pais de crianças com necessidades educacionais especiais e professores, tendo em conta a relação que estabelecem entre ambos. Após a análise dos dados, torna-se importante apontar algumas conclusões.
É importante ressaltar que as famílias das crianças com deficiência têm a preocupação de deixá-la interagir com as demais pessoas, matriculando-as em escolas regulares. Essa preocupação é o primeiro passo para dar possibilidades de aprendizagem a qualquer criança, seja ela deficiente ou não.
Os professores, em suas respostas na entrevista, confirmam que a interação entre diferentes crianças ocorre independentemente de sua deficiência.
Um ponto marcante nos dados obtidos com pais e professores foi a falta de estrutura física da escola e pouco preparo dos professores para trabalhar com as crianças com necessidades educacionais especiais.
Atualmente, a inclusão é um tema muito discutido em torno da educação. A maioria da sociedade já é capaz de entender que a melhor forma para a inclusão é acabando com as instituições restritas para a parte deficiente da população como as APAEs e matriculando-as na rede regular de ensino, servindo essas instituições anteriores agora como apoio.
Essa mudança ainda é muito recente, portanto as escolas regulares, como não estavam acostumadas a receberem toda a população, seja ela deficiente mental, física, visual, etc., também não se encontram totalmente adaptadas para receber essas crianças, tanto arquitetonicamente como na capacitação de seus profissionais.
Visando o objetivo fundamental desse estudo, notificar como acontece a relação entre a família e a escola, percebemos que na visão dos pais eles não encontram dificuldades e a grande maioria participa ativamente da vida escolar da criança. Já os professores acreditam que esses encontros acorrem mais em festividades ou reuniões marcadas pela escola.
Através da analise dos resultados obtidos com as entrevistas e questionários percebemos que a relação entre a família e escola ocorre de maneira harmônica, não se evidenciando nenhum conflito aparente no relacionamento, de acordo com a população pesquisada. Mas é evidenciada, pelo ponto de vista dos professores, pouca participação dos pais e da família na aprendizagem dessas crianças.
Logo, conseguimos alcançar ao longo desse estudo o objetivo principal, sendo ele de analisar o contexto familiar das crianças com necessidades especiais e a sua relação com a atual proposta de inclusão educacional no município de Viçosa, Minas Gerais. Também conseguimos outras finalidades menos focadas como avaliar como ocorre a interação dessas crianças nas escolas regulares e se há ainda descriminações das escolas.
Assim, uma participação mais relevante da família de crianças com necessidades educacionais especiais na escola, concretize princípios de representatividade, democraticidade e o direito à cidadania. Verifica-se, portanto que se de algum modo esta relação denota tendências positivas ela não é ainda totalmente efetiva. A escola precisa modificar suas estratégias de incluir a família em seu contexto e se tornar mediadora primeiramente dessa relação para após poder ser mediadora da aprendizagem.
Referências Bibliográficas
Campanha da Fraternidade 2006. Texto-base/ Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB. São Paulo. Editora Salesiana, 2005.
CARNEIRO, M. A. O acesso de alunos com deficiência ás escolas e classes comuns: possibilidades e limitações. Petrópolis, RJ: Vozes. 2007.
D'ANTINO, M. E. F. A Máscara e o Rosto da Instituição Especializada: marcas que o passado abriga e o presente esconde. São Paulo: Mennon, 1998.
DAVIS, D.; al. (1989). As Escolas e As Famílias em Portugal/Realidade e Perspectivas. Lisboa: Edições Livros Horizonte.
GLAT, R. Uma família presente e participativa: o papel da família no desenvolvimento e inclusão social da pessoa com necessidades especiais. Anais do 9º Congresso Estadual das APAEs de Minas Gerais, disponível em CDRom, Belo Horizonte/MG, 2004.
MANTOAN, M. T. E. Ser ou estar: eis a questão. Explicando o déficit intelectual. Rio de Janeiro, WVA, 1997.
PAROLIN, I. Pais educadores. é proibido proibir? Porto Alegre: Mediação, 2003.
RAIÇA, D.; OLIVEIRA, M.T.B. de. A Educação especial do deficiente mental. São Paulo:EPU, 1990.
UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: Corde, 1994.
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